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Projeto de Pesquisa realiza debate sobre questões que envolvem a autoatribuição de mulheres negras da Amazônia

  • Publicado: Terça, 02 de Junho de 2020, 13h50
  • Última atualização em Quinta, 02 de Julho de 2020, 12h24

Nesta quarta-feira, 03 de junho, será realizado o colóquio virtual "Afroindígena como autodeclaração em contexto amazônico". O evento visa discutir e fomentar a reflexão sobre as mulheres negras da Amazônia paraense e da Guiana, e suas identidades, de forma plural, pensando nas formações socioculturais. O colóquio será transmitido ao vivo na página do grupo NosMulheres, às 19h.

Por meio do projeto de pesquisa 'Contar nossas histórias a partir de nossos referenciais', do IFCH/UFPA, o grupo NosMulheres - Pela Equidade de Gênero Etnicorracial (UFPA) e o Centro de Estudos em Línguas e Culturas da Amazônia INTERRMUN'Ã (Guiana) organizaram o evento para fomentar, no interior da Universidade, os conhecimentos negros como uma lente analítica para entender questões que são construídas sobre mulheres negras Amazônidas.

Segundo a professora Mônica Conrado, uma das organizadoras do colóquio, o diálogo será acadêmico-militante com o objetivo de entender a autoatribuição afroinígena por mulheres paraenses e afroguianenses, e entender como elas estão situadas culturalmente como políticas de identidade.

De acordo com a antropóloga Ester Corrêa, afroindígena convidada para o evento, as discussões do colóquio irão expor os saberes, a pluralidade e a forma que o povo da região amazônica se apresenta ao mundo. A ideia é mostrar uma nova perspectiva sobre a Amazônia, como um local que não cabe em apenas uma representação e que é muito mais extenso, variado e vai além da diversidade ambiental. É uma  maneira de evidenciar a organização social presente.

"O debate busca preencher o silêncio que existe sobre as diversas formas de ser de mulheres e homens no contexto local, que não são contadas em uma narrativa homogênea. No caso do colóquio, é uma discussão que perpassa pela perspectiva das mulheres, ou seja, uma oportunidade para nós contarmos sobre nossas histórias de vida a partir das várias experiências que constroem nossos pertencimentos enquanto negras, indígenas em uma Amazônia que é  heterogênea", afirmou Ester Corrêa.

O evento também conta com apoio do Grupo Feminista de Estudo e Ação Política Zo'é (UFPA/Castanhal) e do Coletivo Sapato Preto (Belém).

Parceria internacional - Por intermédio da historiadora, negra e militante, Nazaré Cruz, a professora Mônica Conrado entrou em contato com a professora Raphaelle Servius-Harmois, fundadora do Centro de Estudos em Línguas e Culturas da Amazônia INTERRMUN'Ã, da Guiana. O encontro entre as coordenadoras dos dois projetos, que possuem interesse em comum pelo fortalecimento do reconhecimento da Amazônia negra e do afrofeminismo na Guiana gerou a parceria que viabilizou a realização do Colóquio.

"Considerar a temática ao nível regional pan-amazônico é pensar a reflexão sobre povos vivendo num espaço que traz características comuns e entender interferências históricas e geográficas do contexto amazônico nas tradições e posicionamentos. Em épocas globais, visibilizar expressões destas realidades, de vidas e de tradições com um olhar decolonial faz refletir sobre afirmações de pessoas, de povos e de comunidades que se reconhecem e se identificam através das heranças Africanas e Indígenas", garantiu a  professora Raphaelle Servius-Harmois.

NosMulheres - Fundado em 2008, o grupo de estudos e pesquisa NosMulheres - Pela Equidade de Gênero Etnicorracial dialoga com os movimentos negro com o objetivo de salientar o debate de gênero, tendo a perspectiva de que há, sempre, uma dimensão racial na questão de gênero, e uma dimensão de gênero na questão da problemática etnicorracial, tomando emprestado o que disse Sueli Carneiro, o grupo busca fomentar o feminismo negro como base teórica para debater academicamente  o racismo e o sexismo em grupos de estudos e disciplinas.

"O NosMulheres fortalece essa construção que é política e cultural de mulheres negras amazônidas e de uma Amazônia negra invisibilizada, mas pulsante E cheia de vivacidade por conta do ativismo político dos movimentos negros locais. É importante salientar que nós, mulheres negras, nos articulamos nas trocas, nas redes. E nós vamos trocando nossos saberes, articulando, pois é exatamente assim que nós vamos construindo, interseccionando conhecimentos, saberes, experiências e vivências", pontuou a professora Mônica Conrado.

Serviço:

Colóquio Virtual Afroindígena como Autodeclaração em Contexto Amazônico.

Data: 03 de junho

Hora: 19h

Local: Página do Facebook do Projeto NosMulheres

Mais informações aqui

Texto: Maiza Santos - Assessoria de Comunicação da UFPA
Arte: Reprodução Facebook

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