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Saudades de Celina - Por Jane Beltrão

 

Saudades de Celina

 

Celina Oliveira de Souza nominação que consta dos assentamentos civis. No dia-a-dia, em meio a faina do antigo Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), hoje, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) era chamada por discentes, técnicas/os e docentes, simplesmente, Celina ou Dona Celina.

Conheci Celina, ainda discente, lá nos anos 80, do século XX, quando cheguei ao curso de História, na Universidade Federal do Pará (UFPA), mulher forte, cujos conhecimentos da administração pública, sempre me encantaram, quer pela destreza, quer pela diligência com que os manejava.

Gentil, solícita e muito respeitosa. Sempre de bom humor, tinha uma gargalhada inconfundível, gostosa e contagiante. A todas/os ensinava, sem arrogância e sem nos fazer envergonhadas/os pelo desconhecimento das normas. Era mestra no que fazia e com diploma de PHd conquistado com a experiência de quem é destemida.

Não lembro bem ... quando passou a ocupar o cargo de Secretária do Centro, creio que foi a convite da professora Therezinha Gueiros, passou muitos anos ocupando a cadeira que me parecia cativa, tal o ajuste e a forma exemplar como a ocupava. Nas reuniões da Congregação era nossa salvação. Fazia atas perfeitas, descrevia os fatos de forma elegante, mas firme, sem deixar dúvidas. Como disse Ruth Morais: “é uma grande perda, funcionária exemplar e amiga, desde que comecei a graduação. Ela, jovem, já era funcionária.” Ou ainda, como disse Emmanuel Tourinho: “... eu a conheci muito. Cuidava do trabalho com muita presteza e nos tratava muito bem.”  É pessoa para ser lembrada com muito cuidado e carinho.

Ela nos acompanhou e, nós a acompanhamos, cada mudança de vida, gerava conversas gostosas, as filhas nascidas, as/os netas/os e, também, as dificuldades diárias. Quantas/os de nós, em meio ao trabalho, ajudou, retirou da aflição e tantas outras coisas. Ainda lembro da torcida que fez quando eu, ainda jovem, me inscrevi para fazer concurso. Ela conferiu meus documentos e lá pelas tantas, comentou “... está tudo certo, desejo boa sorte. Boas alunas, sempre se tornam professoras capazes.” E emendou rindo: “... nem precisava conferir os documentos, tudo certo, mas é minha obrigação!”

Amiga querida, passou por inúmeras/os dirigentes no IFCH, não satisfeita, com a dedicação de muitos anos, permaneceu trabalhando, após a aposentadoria, sempre riamos do fato. Ela dizia: “... um dia eu vou” e no dia seguinte lá estava ela.

Ontem, 5 de janeiro de 2019, ela se foi, a todas/os que comuniquei o fato, lamentaram muito o ocorrido. Creio que podemos dizer que a tristeza nos invade e que Celina fica entre nós, como exemplo de trajetória e de vida.

Grata pela lição!

Belém, 6 de janeiro de 2019.

 Jane