Logo IFCH

Logo UFPA

IFCH reúne comunidade universitária para debate sobre Universidade Pública e Democrática

A garantia de se manter uma Universidade  democrática, plural e gratuita foi amplamente  expressada na manhã desta quinta-feira, durante a realização da mesa Universidade Pública: uma instituição no Estado de direito. O encontro reuniu no Auditório Benedito Nunes uma plateia de centenas de estudantes, docentes e técnicos administrativos da Universidade Federal do Pará  com intensas manifestações sobre a importância da democracia nas universidades.

O evento, organizado pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas teve como objetivo criar um campo de reflexão em torno da relevância de uma instituição pública como a Universidade, num estado democrático. Os palestrantes, docentes do próprio Instituto, discorreram sobre a trajetória da democracia na  UFPA e os diversos aspectos que envolvem o atual momento político e seus reflexos nas universidades brasileiras. Além dos pesquisadores, a mesa teve a presença do reitor Emanuel Tourinho que destacou a importância da organização desses eventos no âmbito da instituição . “Estamos vivendo um momento crítico e é dever de todos se mobilizaram em prol da academia democrática. Para bem servir a sociedade a Universidade deve ser democrática e soberana” afirmou


As estórias vividas há 50 anos, quando a UFPA dava seus primeiros passos na consolidação como instituição superior no norte do Brasil e a ditadura militar se instalava no país, foram lembrados pela antropóloga Jane Beltrão, à época aluna do curso de História . Muito emocionada a professora relatou as perseguições sofridas por muitos professores e colegas de curso. “Homenageio os que lutaram contra o regime, como a professora Hecilda Veiga, o professor Heraldo Maués e muitos outros docentes que ainda hoje contribuem com o ensino na faculdade de Ciências Sociais”


A professora Edilza Fontes da Faculdade de História, também ex-discente da UFPA ,  mencionou momentos históricos e embaraçosos vividos na academia nos chamados “anos de chumbo” quando estudantes, perseguidos pelo regime, eram proibidos até mesmo de  serem paraninfos em solenidades de colação de grau. “Quando alcançamos o período de abertura política construímos uma universidade pública e gratuita. Agora precisamos pensar para onde vai nossa sociedade, porque a democracia é uma valor universal e dela não abrimos mão” enfatizou

“As ameaças feitas as universidades no sentido de querer calar e silenciar o pensamento crítico representam um perigo ao papel fundamental dessas instituições na transformação da sociedade” observou o pesquisador Ernani Chaves que também participou do evento. Ele citou o fim do lançamento, há dois anos , dos editais específicos para as Ciências Humanas, prejudicando as pesquisas sobre gênero e  minorias, e a não obrigatoriedade do ensino da Sociologia, Filosofia e Artes como disciplinas no Ensino Médio. “O inconformismo é fundamental para os que atuam na área das Humanidades e isso é visto como perigoso” afirmou


Para a professora Zélia Amador de Deus, docente do Instituto de Ciências da Arte e ativista do movimento negro,  a reunião de toda a comunidade universitária no atual momento político torna-se importante para confrontar esses enunciados de intolerância apresentados por uma candidatura, a presidência da República, que visa o retrocesso “ Não podemos aceitar que não sejam reconhecidos os avanços sociais para as minorias, como as cotas para indígenas e negros” disse

No encerramento do evento o historiador Fernando Arthur Freitas Neves, diretor geral do IFCH, agradeceu a participação de todos e reafirmou que a Universidade deve ter garantida sua reconhecida capacidade de produzir conhecimento , para tentar resolver os inúmeros conflitos da sociedade na qual vivemos, por meio de relações de diálogo.

Texto: Ascom IFCH

Fotos: Beatriz Araújo (Centro de Eventos Benedito Nunes)